Imagem capa - APRENDI NA PRÁTICA por Jefferson Alcântara - Fotografia de Casamento
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APRENDI NA PRÁTICA


Aprendi bem cedo o valor da fotografia. 


Há lembranças que se apagam. Que se perdem no meio do caminho.
Há lembranças que mesmo que nós não queiramos, se esvaem e, como o fogo, vão se apagando.

É involuntário. Chega até ser triste. Afinal... Quem não quer se lembrar de todas as coisas boas que viveu, pra sempre?!


Mas a verdade é uma só: Nossa mente é como um HD muito ruim. A nossa rotina conturbada muitas vezes nos joga no modo automático e o que é mais precioso para nós acaba se tornando só mais um dia comum (e esquecido) no nosso passado.


Mas há uma coisa capaz de mudar tudo isso (ou pelo menos, reduzir o dano):


A fotografia.


E não, não falo só da fotografia profissional. Falo da fotografia amadora, tirada por aquele amigo entusiasta, ou por aquela tia que ama retratos de todo mundo da família... Aquela tirada por você, com o seu celular.


A fotografia que registra o simples.
A verdade nua e crua.
Sem técnica, sem treino.

A fotografia pela fotografia.



Nessa foto: Meu avô, o monza antigo do meu pai (ou chevette, sei lá, que pra época já parecia antigo) e eu.


Não importa o que meu avô estivesse fazendo! Eu arrumava um jeito de estar lá. Essa é a típica foto que eu, fotógrafo profissional, não estaria ali pra fazer. Pessoas não costumam nos contratar para registrar uma criança acompanhar seu vô em alguma pequena reforma que ele faria em sua casa (muito embora essa ideia faça muito sentido pra mim). Mas, se não fosse por alguém, provavelmente minha mãe que sempre andou com a sua câmera "no pescoço", eu não teria essa foto e muito menos essa lembrança.

  

Infelizmente, anos mais tarde um câncer no estômago nos afastou. A dor foi forte e ainda é. Hoje eu já não me recordo muito bem da sua voz, embora ainda lembre das piadas e aqueles detalhes específicos que cada pessoa carrega na sua personalidade.


Ele foi meu herói na infância e hoje, adulto, ainda é.


E eu fico pensando...

E se eu não tivesse essas fotos? Será que daqui alguns anos eu me lembraria de tudo o que aconteceu? Ele se foi há uns 10 anos e muitas coisas já não me lembro mais. Eu quero poder mostrar pro meu neto quem foi o meu avô!



Essa foto acima foi feita antes de eu nascer! Minha mãe que fotografou.


Eu não estava ali. Mas essa foto me traz uma paz tão grande! Eu imagino ele ali: Sentado na mesa que ficava na área da casa da minha avó, ouvindo um rádio e pensando na vida, nos problemas que todo mundo tem, nas alegrias. É doido, né?


Com isso, desde cedo, eu  tive uma das maiores lições que eu já aprendi na vida:




A fotografia só registra o presente! Ela só registra o que aconteceu e o que os seus olhos viram. Então, ao menor sinal de sentimento, de emoção, de algo diferente que você nunca viu, não importa a câmera que você tem na mão, registre! Você não tem ideia de quantas memórias irá armazenar por mais tempo fazendo isso.




Essa é a minha avó, esposa dele. Talvez uma das pessoas que eu mais amo fotografar nesse mundo . 


E para finalizar esse texto, vou colocar uma poesia que faz todo sentido para aquilo que estamos falando:



" Um dia, tudo será memória.
As pessoas que andam naquela rua,
as gentis, as sábias, as más, todas, todas serão memória.
O mendigo que passa sem o cão, o ginasta, a mãe, o bobo, o cético, a turista,
Deus, Deus inclusive, regendo o fim das coisas memoráveis,
também será memória.
Deus e os pardais.
Os grandes esqueletos do museu britânico e todo sofrimento serão memória.
Eu, sentado aqui, serei só esses versos que dizem haver um eu sentado aqui."


Autor: Antonio Brasileiro



Espero que esse texto influencie a sua maneira de olhar o cotidiano e te inspire a fazer ainda melhor que eu.


Um grande abraço!


Jefferson Alcântara.